Poesias

Mahmud Darwish

Mahmud Darwish, poeta palestino nascido no ano de 1942 em Birweh.Nascido em um vilarejo, a 10,5 quilômetros de Acre, na Galiléia, era o segundo dos oito filhos de uma família sunita de proprietários de terras. A vila árabe foi inteiramente arrasada pelas forças israelenses, durante a guerra de 1948 e a família Darwish refugiou-se no Líbano, onde permaneceu por um ano, e, ao retornar clandestinamente e descobrir que o vilarejo havia sido substituído pelo colonato agrícola judaico de Ahihud.

Como muitos dos poetas da resistência palestina, teve desde o princípio uma clara militância política e foi preso em Israel. Abandonou esse país no começo dos anos 70, viveu em alguns países socialistas europeus, no Egito, e depois vários anos em Beirute, onde se transformou em um dos membros mais destacados do Centro de Pesquisas Palestinas, dirigindo a revista Shuún Filistiyya.

Laila e Majnun

"O Ideal nasce do Amor. Sem amor não há ideal e, quando a flecha do amor nos atinge, desaparece o ideal. É o pór quê de nosso ideal não poder ser passado a qualquer outra pessoa, pois cada um é atraído por uma certa forma de beleza, de bondade, de felicidade".

 

Laila e Majnun (árabe majnûn : louco (de amor), laylâ : (Leila), ou Kais et Layla, é uma estória de amor árabe dedicada pelo poeta “Kais Ibn Almoulawwah" A sua prima e amada “Layla Alamiriyya”. Trata-se de uma narrativa de fatos reais, sendo semelhante a Romeu e Julieta e que inspirou muitos escritores, poetas e artistas muçulmanos como Nizami, Djami e Mir Alisher Navoï.

Hakawati e Musaharati

  Hakawati é contador de histórias em árabe. No mundo árabe e mediterrâneo e especialmente antes da era do rádio, televisão e da internet, o hakawati tinha o papel central na vida cultural da sociedade, definindo modos de expressão e entretenimento e refletindo a importância colocada nas histórias orais, improvisação e formação de mitos. A palavra hakawati é derivada da palavra libanesa "haki", que significa "conversar". Isso sugestiona que no Líbano, o mero ato de conversar transforma-se no ato de "contar histórias"

 

   Musaharati é um homem que te acorda, gritando e batendo em um pequeno tambor para o Sohour durante o Ramadan, geralmente em torno das 4 da manhã.

Amor

Quando o amor o chamar
Se guie
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados
E quando ele vos envolver com suas asas
Cedei-lhe
Embora a espada oculta na sua plumagem possa feri-vos
E quando ele vos falar
Acreditai nele
Embora a sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o
jardim
Pois da mesma forma que o amor vos coroa,
assim ele vos crucifica
E da mesma forma que contribui para o vosso crescimento
Trabalha para vossa poda
E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros
que se embalam ao sol
Assim também desce até vossas raízes e a sacode no seu apego à terra
Como feixes de trigo ele vos aperta junto ao seu coração
Ele vos debulha para expor a vossa nudez
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas
Ele vos mói até extrema brancura
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis
Então ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete
divino

Minha mãe

Desejo o pão da minha mãe

O café da minha mãe

O seu toque

As memórias da infância crescem em mim

Dia após dia

Eu devo valer a minha vida

Na hora da minha morte

Devo valer as lágrimas da minha mãe.

E se eu voltar um dia

Leva-me como um véu nas tuas pestanas

Cobre-me os ossos com relva Abençoada pelos teus passos

Prende-nos um ao outro

Com um caracol do teu cabelo.

Com um fio da baínha da parte de trás do teu vestido

Eu sou capaz de me tornar imortal

Transformar-me em Deus

Se tocar nas profundezas do teu coração

Se eu voltar

Usa-me como madeira para alimentar o teu fogo

Como a corda da roupa no telhado da tua casa

Sem a tua benção

Sou demasiado fraco para estar de pé

Carteira de Indentidade

Escreve
sou árabe
o número do meu cartão de identidade é o cinqüenta mil
tenho oito filhos
e o nono chegará... depois do verão

Ficarás irritado?

Escreve
sou árabe
trabalho com os meus companheiros de infortúnio
numa pedreira
tenho oito filhos
para eles extraio da rocha
a carcaça do pão
a roupa e os cadernos
E não venho mendigar à tua porta
não me curvo
no átrio da tua casa
Ficarás irritado?

Escreve
sou árabe
Tenho um nome vulgar
sofro num país
que ferve de raiva

As minhas raízes...
fixadas antes do nascimento do tempo
antes da eclosão dos séculos antes dos ciprestes e das oliveiras
antes da erva

O meu pai...
da família do arado
e não dos senhores de Nujub

O meu avô, um camponês
sem árvore genealógica
Ensinou-me os movimentos do sol
antes da leitura

A minha casa
uma cabana de guarda
feita de canas e ramos
Estás contente com a minha condição?
Tenho um nome vulgar

Escreve
sou árabe

Os Filhos

(Do Livro "O Profeta")

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.

Os Conselhos da Beduína

Ó filhinha: estás para te separar do ambiente em que te criaste
E prestes a trocar o ninho em que engatinhaste
Por uma casa e um companheiro, para ti desconhecidos
Leva de minha parte estes dez conselhos, para ti, um tesouro:

Acompanha-o docemente (com sobriedade).
Convive com ele em suave obediência e respeito.
Esteja atenta ao lugar onde pousa, em ti, o olho de teu marido: que não encontre em ti feiúra.
Não descuides da hora das refeições e não perturbes com estrépito o seu sono, pois, certamente, a força da fome é como o fogo e perturbar o sono, algo odioso.
Evita ostentar alegria, quando ele estiver triste, e mostrar-te aborrecida, quando ele estiver alegre. Isso contrariaria o primeiro de meus conselhos e angustiá-lo-ias com tua tristeza.
Sê, entre todas as pessoas, a que mais o respeita e, assim, ele será o primeiro a honrar-te.
Não alcançarás o que gostas, se não antepões a satisfação dele à tua, e a paixão dele à tua.

A Amizade

Vosso amigo é
a satisfação de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeais com carinho
e ceifais com agradecimento.

É vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome
e o procurais em busca de paz.

Quando vosso amigo expressa o pensamento,
não temais o "não" de vossa própria opinião,
nem prendais o "sim".
E quando ele se cala, que vosso coração
continue a ouvir o coração dele,

Porque na amizade, todos os desejos,
ideais, esperanças, nascem e são partilhados
sem palavras, numa alegria silenciosa.

Quando vos separais de vosso amigo,
não vos aflijais.
Pois o que amais nele
pode tornar-se mais claro na sua ausência,
como para o alpinista a montanha
aparece mais clara, vista da planicie.

E que não haja outro objetivo na amizade
mas somente o amadurecimento de espirito.
Pois o amor que procura outra coisa,
que não a revelação de seu próprio mistério,
não é amor, mas uma rede armada,

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