Imigração
São Paulo - A comunidade árabe no Brasil, estimada em 12 milhões de pessoas, “está em sua grande maioria estabelecida em São Paulo”, diz o representante da etnia no Conselho Estadual de Comunidades de Raízes e Culturas Estrangeiras (Conscre), Rezkalla Tuma. O primeiro registro oficial da imigração árabe no Brasil data de 1835, com a chegada dos irmãos Zacarias no Rio de Janeiro, vindos de Beirute. |
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Nas últimas décadas, a contribuição cultural dos árabes tem sido mais lembrada pela culinária, embora haja outros campos em que sua presença é marcante. O aumento das cadeias de fast-food nos grandes centros urbanos aproximou a população do quibe, da esfiha, do tabule e da coalhada seca, antes circunscritos aos restaurantes típicos. A popularização, sobretudo do quibe e da esfiha, fez com que fossem incorporados a outros locais de alimentação, como as tradicionais pastelarias chinesas, e mesmo bares e padarias de portugueses e brasileiros. Industria: Deve-se aos árabes a introdução da bóia no plano das descargas de água, que propiciou uma condição mais adequada ao desenvolvimento social. Na metalurgia desenvolveram artefatos de metais indispensáveis e difíceis de se obter na época em São Paulo e no Brasil. A família Rizkallah, responsável por esse avanço fundou em 1898 a tradicional Casa da Bóia, até hoje existente na Rua Florêncio de Abreu. |
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Dos questionários preenchidos: Com relação aos imigrantes, seus países de origem são? Já no caso dos descendentes de imigrantes, os países de origem de seus familiares foram? Síria - 25% Os imigrantes variam quanto ao tempo de permanência desde sua chegada ao Brasil? Até 5 anos - 30% A religião dos imigrantes e descendentes divide-se em? |
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Em 1922, a coletividade sírio-libanesa doou ao Brasil um monumento histórico referente ao centenário da Independência. Este monumento representa uma embarcação utilizada pelos fenícios que foram os primeiros a ensinar ao mundo a construção de navios, a arte de navegar e a invenção do alfabeto, junto à embarcação foi erguida uma estátua de Hiram, rei de Tiro, que descobriu as Ilhas Canárias. A inauguração deste monumento foi no dia 3 de Maio de 1928, no parque D. Pedro, na Rua 25 de Março em São Paulo. Este monumento foi considerado na época, o mais belo artisticamente, entre todas as homenagens oferecidas ao Brasil. |
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Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o comércio árabe imprimiu um caráter popular na paisagem de algumas áreas da cidade. Em 1901, na capital paulista, já eram mais de 500 casas comerciais na região. Seis anos depois, um levantamento indicou que de 315 firmas de sírios e libaneses, 80% eram lojas de tecidos a varejo e armarinhos. A eclosão da I Guerra Mundial aumentou os lucros do comércio e da indústria com a interrupção da importação dos produtos europeus. No Rio de Janeiro, a abertura da avenida Presidente Vargas na década de 40, obrigou muitos dos comerciantes a abandonar o quadrilátero próximo à praça da República, mudando-se para a Tijuca. Como na rua 25 de Março, em São Paulo, o comércio da rua da Alfândega ficou conhecido pelo seu caráter popular. Em 1962 foi fundada a Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega - SAARA, cuja sigla serviu como uma luva para o tipo de comerciante ali estabelecido. |
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Quando chegaram os árabes, já existiam mascates portugueses e italianos, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Entretanto, a mascateação se tornou uma marca registrada da imigração árabe. Nesta atividade, esses imigrantes introduziram inovações que, hoje, são vistas como traços marcantes do comércio popular:
Estas inovações revelam o traço definidor da versão árabe da mascateação: o interesse pelo consumidor. Nos primeiros anos de atividade, os mascates, em visita às cidades interioranas e, principalmente, às fazendas de café, levavam apenas miudezas e bijuterias. Mas com o tempo e o aumento do capital, começaram também a oferecer tecidos, lençóis, roupas prontas dentre outros artigos. |
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Desembarcados no Rio ou em Santos, a opção de trabalho das primeiras levas de imigrantes foi o comércio. Embora pobres e, em geral, afeitos ao trabalho agrícola, poucos foram os árabes que após o desembarque optaram pela agricultura. A miséria da população rural e o sistema de compra vinculado ao proprietário da terra repeliram esses imigrantes do trabalho no campo. Na cidade de São Paulo, na década de 30, eles se concentravam nos Distritos da Sé e Santa Ifigênia, ou seja, entre as ruas 25 de Março, da Cantareira e Avenida do Estado; no Rio de Janeiro, ocorreu um processo de concentração semelhante nas áreas cobertas pelas ruas da Alfândega, José Maurício e Buenos Aires. |
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A viagem para a América tinha como pontos de partida os portos de Beirute e Trípoli. Por meio de agências de navegação francesas, italianas ou gregas, dirigiram-se para outros portos do Mediterrâneo como Gênova, na Itália, onde às vezes esperavam meses por uma conexão que os levassem para o Atlântico Norte ou Sul (Rio, Santos ou Buenos Aires). Muitos imigrantes, com o objetivo de chegarem aos Estados Unidos, destino principal da imigração árabe, acabavam vindo para o Brasil ou Argentina enganados pelas companhias de navegação. Afinal, explicavam, tudo era América. A maioria dos imigrantes árabes se dirigiu para São Paulo, menor número foi para o Rio de Janeiro e Minas Gerais; poucos foram para o Rio Grande do Sul e Bahia. Até 1920, mais de 58 000 imigrantes árabes haviam entrado no Brasil, sendo que o Estado de São Paulo recebeu 40% deste total. |
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Os povos árabes emigraram, basicamente, por motivos religiosos e por motivos econômico-sociais ligados à estrutura agrária dos países de origem. Motivos religiosos No Império Otomano de fé islâmica, as comunidades da Síria, Líbano e Egito foram não somente perseguidas por motivos religiosos, como passaram por severos sofrimentos infringidos pelos turcos. O maior contingente de imigrantes é proveniente do Líbano e da Síria. São bem menores as levas saídas de outros pontos do antigo Império Otomano, como Turquia, Palestina, Egito, Jordânia e Iraque. Motivos econômico-sociais |
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"Imigração árabe: um certo oriente no Brasil" de Maria Lucia Mott. A primeira contribuição migratória para o Brasil ocorreu no século XVI, através de missionários católicos sírios que vieram juntos com as caravanas colonizadoras portuguesas principalmente para os Estados do Nordeste incluindo Ceará e Pernambuco. O segundo período ocorre nos finais da dominação turca no século XIX, a partir de 1850, aproximadamente. A atração do Novo Mundo seduziu os jovens cristãos sírios que vieram em pequenos grupos, a partir de 1885, instalando-se principalmente, na região sudeste do Brasil, de onde partiram como mascates para o Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro. |
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