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Árabes somos nós

Estará nas bancas na próxima semana a edição de julho (n.46) da Revista de História da Biblioteca Nacional que traz um dossiê sobre as origens Árabes do Brasil ÁRABES SOMOS NÓS As origens que o Brasil desconhece Oswaldo Truzzi Verde, amarelo, azul e mouro Marcantes em nossa cultura desde a colonização, os árabes se adaptaram muito bem ao Brasil. E o Brasil a eles John Tofik Karam Fios árabes, tecido brasileiro Desde o início do século XX, sírios, libaneses e palestinos exercem sua astúcia comercial nos quatro cantos do país Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto Toda forma de fé Diversidade religiosa é a marca dos imigrantes árabes. Maronitas, ortodoxos ou muçulmanos, suas igrejas seguem firmes até hoje Paulo Daniel Farah Alicerces, recifes e acepipes O árabe tem vasta presença na língua portuguesa. A influência que chegou ao Brasil é linguística, mas também literária, religiosa e cultural Rossend Casanova O ‘point’ muçulmano Com café, restaurante, teatro e até rinque de patinação, o Pavilhão Mourisco era o local da moda no Rio na virada do século www.revistadehistoria.com.br https://twitter.com/rhbn Com açúcar, com afeto Brancos, índios, negros. Será que não falta alguma coisa na clássica síntese sobre a formação do povo brasileiro? Respire fundo e conte até dez. Depois tome um cafezinho com açúcar e ouça um bom samba conduzido por pandeiro e cavaquinho, pensando em como tudo isso é tão típico da gente. É típico mesmo, e tudo graças à cultura árabe. Dos números decimais aos instrumentos que descendem do alaúde, sua influência em nossa vida perde-se de vista. Chegaram já com os portugueses, que, depois de séculos de ocupação moura, estavam ricamente impregnados em seus costumes, na arquitetura, na culinária e até na língua. No período colonial, sequer haveria o modelo de engenho escravocrata se os árabes não tivessem apresentado à Europa os moinhos d’água e o cultivo da cana-de-açúcar. Nem mesmo essa profunda intimidade cultural foi capaz de evitar o preconceito e o estranhamento quando, na virada do século XX, sírios e libaneses iniciaram uma intensa onda de imigração para o Brasil. Muçulmanos? Que nada: 85% eram cristãos. Tinham que aturar ser chamados de “turcos”, mas seus valores familiares e seu tino comercial garantiram boa acolhida nos quatro cantos da nova terra. Hoje mascates, amanhã industriais, então estudantes, depois os maiores linguistas do país, eles se sentiram em casa. Seu Nacib tinha razão: “Brasileiro – batia com a mão enorme no peito cabeludo – filho de sírios, graças a Deus”.

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