O Imperialismo Europeu e o Sonho do Pan-arabismo

Em 1453, os otomanos, turcos originários da Ásia Central e convertidos ao islamismo, reunificaram grande parte do Império Muçulmano. O Império Otomano deveu sua existência essencialmente à sua capacidade de enfrentar revoltas xiitas, de fazer vistas grossas e conciliatórias aos inúmeros conflitos regionais e disputas entre califados do conturbado e regionalista mundo árabe. Paralelamente, estranhas concessões são feitas às nações européias à medida que estas crescem em poder político e industrial. É o Neocolonialismo. Nas palavras do britânico lorde Curzon, "trata-se de defender o nosso comércio, assim como vossa segurança". Já em 1639, a Inglaterra tem um entreposto comercial em Basra, no sudeste da Mesopotâmia. Em 1839, os britânicos ocupam Aden. Em 1853 é assinado um suspeito tratado de paz perpétua para tráfego no Golfo Pérsico. No último quartel do século XIX, os Estados Otomano e Egípcio estão falidos, até trinta porcento de suas receitas eram entregues diretamente aos comerciantes ingleses. Em 1869, os ingleses dominam a totalidade dos capitais investidos na construção do Canal de Suez. O Estado egípcio não participa da exploração desta importantíssima obra comercial. Em 1882, o Egito está ocupado "a título provisório" pela Inglaterra. No início do século XX duas serão as causas que aceleram o fim do Império Otomano e a oficialização da política imperialista européia. Primeira: o início da exploração das reservas de petróleo, importantíssimo com o advento dos automóveis e, principalmente, com o crescimento da moderna marinha durante a "Paz Armada'. Segunda: o Império Otomano participa da Primeira Grande Guerra (1914/18) em favor da Tríplice Aliança. Esta, uma vez derrotada, é obrigada a arcar com o ônus da guerra. O Império Otomano é então dividido entre os vencedores. Em 1918, França e Inglaterra são as grandes beneficiadas com o fim do Império Otomano. Entretanto, as administrações neocoloniais ignoraram os problemas regionais. Califados e administrações autônomas árabes foram atropelados pela sanha capitalista de países que buscaram em suas colônias afro-asiáticas a compensação pelos prejuízos da Grande Guerra de 1914 até 1918. Simultaneamente, na Europa, as crises políticas causadas pela ascensão dos governos totalitários (Benito Mussolini, Adolf Hitler e Francisco Franco, por exemplo) somadas à crise econômica intensificada em 1929, estimularam um novo problema com repercussões no Oriente Médio: o movimento sionista. Judeus de todo o mundo migravam em busca de sua terra prometida. A política anti-semita alemã e a criação de campos de concentração já em 1933 intensificaram esta leva migratória. A Inglaterra, em princípio, mostrou-se disposta a apoiar a criação de um Estado Judeu.., em Uganda! Posteriormente, aceitou, contrafeita, a migração controlada para a Palestina. Ocorre que o Império Britânico não possuía, tampouco desejava possuir, as necessárias habilidades diplomáticas para conciliar os judeus que chegavam à Palestina aos muçulmanos que lá viviam desde a expansão árabe da Baixa Idade Média. Iniciam-se os conflitos. Em 1939, a situação piora face ao início das batalhas da Segunda Guerra.
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