Organização pela Libertação da Palestina - OLP
A Organização pela Libertação da Palestina (OLP) é um "governo no exílio" dedicado ao objetivo de estabelecer um Estado palestino independente no território hoje ocupado por Israel. Formada em 1964, a OLP propôs-se coordenar e comandar o movimento nacionalista palestino. Politicamente, obteve muitas vitórias - desde 1964, mais de cem países passaram a reconhecê-la como representante legítima do povo palestino.
Um dos principais problemas da OLP tem sido uma consistente falta de consenso com relação ao uso da força militar. O primeiro líder da organização, Ahmad Chukeiry, era favorável a criação de um "exército no exílio" para destruir Israel com auxílio dos exércitos de outros Estados árabes. Mas, como a guerra de 1948-49 havia demostrado, essa era uma posição discutível, pois implacava uma dependência de forças não palestinas e a subordinação da OLP em termos militares.
Já em 1965 a organização Al Fatah (Luta), de Yasser Arafat, executara pequenas ações-relâmpagos contra Israel, indicando o potencial da guerra de guerrilhas. Após o esmagador fracasso da Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, a guerrilha passou a ser a estratégia preferida dos palestinos. Arafat acabaria eleito presidente da OLP em fevereiro de 1969, mas não foi capaz de unificar o movimento em torno de uma diretriz única.
Georges Habache, outro líder palestino, havia preferido adotar o terrorismo e fundara a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) em 1968. A partir daí, surgiram vários grupos dissidentes, cada um mais extremista que o anterior e todos teoricamente subordinados à OLP. É o caso, entre outros, do Saiqa (Vanguardas de Guerra de Libertação Popular, fundado em 1968 e apoiado pela Síria) e da Frente de Libertação Árabe (FLA, criada em 1969 por Abd al-Wahhab al-Kayyali, sob orientação do governo do Iraque).
Apesar da existência de uma grande massa de refugiados predominantemente pró-OLP, entre os quais poderiam ser arregimentados guerrilheiros, os palestinos não tinham as vantagens de contar com bases seguras e inexpurgáveis. No início dos anos 60, esse problema ainda não era muito sério - campos de refugiados na faixa de Gaza, na margem ocidental (esquerda) do Jordão e no Líbano ofereciam bases próximas às fronteiras israelenses - mas a partir de 1967 os palestinos foram gradativamente rechaçados. Na Guerra dos Seis Dias, os israelenses capturaram o Sinai, a margem ocidental do Jordão e as colinas de Golã, obrigando a OLP a se retirar para o interior do Egito, Jordânia e Síria. Isso reduzio o impacto de suas ações, pois eles precisavam percorrer várias distâncias em terreno hostil para atingir alvos preferenciais em pleno território de Israel.

Momentos de grande tensão foram criados entre os palestinos e os territórios que os abrigavam. À medida que os Estados Árabes hospedeiros sofriam os efeitos das retaliações israelenses em resposta a ataques dos palestinos e enfrentavam o surgimento de enclaves controlados pela OLP dentro de seu próprio território, o movimento foi perdendo apoio. Em 1970, o rei Hussein expulsou a OLP de suas bases a leste do rio Jordão, enquanto o Egito e a Síria começaram a impor um rigoroso controle sobre as populações palestinas abrigadas em suas fronteiras. Uma mudança da OLP para bases no sul do Líbano permitiu aos guerrilheiros reconquistar um certo grau de eficiência, mas a subseqüente guerra civil naquele país (1975-76), seguida por uma invasão israelense (1982), veio a enfraquecê-los ainda mais.
Em fins de 1983, uma verdadeira guerra foi travada no norte do Líbano entre os partidários de Arafat e de outras organizações palestinas filiadas à OLP (principalmente o Saiqa, controlado pelos sírios). Arafat sobreviveu, explorando a força política da OLP, mas os sírios assumiram a estratégia palestina. Com isso destruíram a iniciativa militar da OLP e subordinaram suas aspirações àquelas de um mundo árabe mais amplo.
Hoje, a OLP controla várias áreas administradas pela Autoridade Nacional Palestina, da qual Arafat é presidente, eleito pela maioria dos palestinos.
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