Oriente Próximo
Síntese da Política Brasileira com o Oriente Próximo
Tradicionalmente, a política externa brasileira para o Oriente Médio é orientada pelas seguintes premissas:
- existência no Brasil de grandes comunidades árabes e judaicas;
- interesse no êxito do processo de paz entre árabes e israelenses;
- importância estratégica do Golfo Árabe/Pérsico, cujos países detêm cerca de metade das reservas mundiais de petróleo, abrigam grande mercado consumidor e exportador e são expressivos investidores internacionais;
- relevância da área, verdadeiro centro nervoso internacional, para um país como o Brasil.
As relações políticas e diplomáticas do País com o Oriente Próximo se intensificaram especialmente depois da Segunda Guerra Mundial, facilitando, nos anos 70, o aprofundamento das relações do Brasil com o restante do mundo árabe e o encaminhamento das relações brasileiras durante as crises do petróleo. No entanto, já a primeira crise do petróleo, em 1973, na seqüência de novo conflito armado entre árabes e israelenses - a Guerra do Yom Kippur - levaria o Brasil a redimensionar seu relacionamento com o Oriente Médio.
A crise tornou evidente a dependência do modelo brasileiro de desenvolvimento com relação a fontes externas de energia e acabou determinando maior aproximação com os países árabes, especialmente os do Golfo. Com o segundo golpe do petróleo, essa aproximação se intensificaria ainda mais: o Iraque se tornaria nosso maior fornecedor de petróleo e nosso maior importador de bens e serviços no Oriente Médio. Depois disso, contudo, com os desdobramentos da revolução iraniana, o curso da Guerra Irã-Iraque e a maior disponibilidade de fornecedores alternativos de petróleo, a participação percentual do Oriente Médio no total do comércio brasileiro começaria a declinar.
A derrota do Iraque na Segunda Guerra do Golfo, por uma coligação de países árabes e ocidentais, tornou-se um marco do fim da Guerra Fria. No Oriente Médio, novo cenário emergeria, abrandando relativamente as tensões. Ao mesmo tempo, o Brasil experimentava transformações internas, em especial no que diz respeito à redemocratização e à abertura econômica, e, no âmbito regional, à consolidação do Mercosul, que levaria o País a privilegiar parceiros sul-americanos como fornecedores de petróleo. Com essas mudanças, diminui o relacionamento comercial do Brasil com os países do Oriente Próximo. No entanto, à medida que o processo de paz criar condições favoráveis e que os países da região mantêm seus processos de abertura com relação ao Ocidente, será possível voltar a intensificar as relações com os mesmos
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